Beija-flor de tampinhas traz consciência ambiental às ruas de Santa Teresa
Seixas Baré
Fotos: Marielle Soares
Um beija-flor feito com 15 mil tampinhas de garrafa pet está ganhando forma no mural próximo à secretaria de turismo. A obra idealizada por Luiza Lubiana, faz parte da programação do 8º Fecsta que acontece entre os dias 31 de julho e 2 de agosto deste ano.

Santa Teresa está sendo palco de uma intervenção artística que une beleza, educação e sustentabilidade. Um beija-flor feito com 15 mil tampinhas de garrafa pet está ganhando forma em um mural do centro da cidade, A obra, em fase final de instalação, ocupa o muro lateral próximo à secretaria de turismo e é assinada pelas artistas serranas Fernanda Vieira e Waldirene D’Ávila, contratadas pelo Fecsta para a execução do mural
Com forte apelo visual e mensagem socioambiental, o eco mural vai além de sua beleza plástica, a obra sintetiza múltiplos sentidos contemporâneos: a urgência de cuidar do planeta, a valorização dos resíduos recicláveis como matéria-prima criativa, a importância da arte pública como ferramenta de educação e transformação social, e o envolvimento das comunidades locais na construção simbólica de seus próprios territórios. Em tempos de crise climática global e debates cada vez mais intensos sobre sustentabilidade, consumo e descarte, o mural se destaca como uma ação concreta, sensível e inspiradora.
Concepção
A produção do painel ficou por conta do ateliê e Ponto de Cultura Nanda Produções, fundado por Fernanda Vieira em Nova Almeida, na Serra. O espaço, que alia práticas artísticas, formação sociocultural e reaproveitamento de materiais, vem se consolidando como um núcleo de arte sustentável no Espírito Santo. A obra destinada a Santa Teresa foi idealizada Luiza Lubiana com o objetivo de se tornar um símbolo visual da cidade durante o Fecsta, unindo cinema, cultura, natureza e participação comunitária.

Inserção
Como condicionante do Fecsta, foram realizadas duas oficinas de eco-arte no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Santa Teresa, voltadas para adolescentes atendidos pelos programas sociais.
Nessas oficinas, os jovens foram convidados a participar de todo o processo criativo: da preparação das tampinhas à sua disposição no painel. Mais do que um aprendizado técnico, as atividades proporcionaram uma vivência sensível sobre temas como consumo consciente, responsabilidade ambiental, estética urbana e protagonismo juvenil. Muitos dos participantes contribuíram diretamente na colagem das peças durante a instalação do mural.
A artista Nanda diz que a proposta pedagógica das oficinas e o caráter colaborativo da intervenção revelam o cuidado do projeto em gerar impacto além do estético. A participação ativa dos adolescentes é um ponto central: eles não apenas aprenderam uma técnica nova, mas também passaram a enxergar os resíduos como recursos reutilizáveis, e os espaços públicos como plataformas de expressão coletiva. O resultado é um sentimento de orgulho e identificação: o beija-flor feito de tampinhas agora pertence à paisagem urbana, mas também à memória e à trajetória de quem o ajudou a nascer.

Segundo Nanda, o projeto conta com o apoio fundamental de duas organizações envolvidas com reciclagem e economia solidária: a Reciclamais e a Coopast, ambas atuam na coleta e separação de resíduos sólidos recicláveis, fornecendo a matéria-prima para o mural. A parceria com essas instituições evidencia como o trabalho artístico pode se articular com redes existentes de economia circular, valorizando o trabalho de catadoras e catadores e promovendo o ciclo virtuoso da reutilização. Assim, o mural também contribui para reforçar o papel social da reciclagem e sua conexão com a arte pública.
Fernanda Vieira é conhecida por sua atuação em grandes produções culturais no Brasil, mas nos últimos anos vem se dedicando à arte ecológica como linguagem prioritária. Ao fundar o Nanda Produções, passou a transformar resíduos urbanos em imagens que embelezam muros, escolas, centros culturais e espaços públicos. “Essa arte nasceu de uma inquietação com o descarte descontrolado de plástico. Quis mostrar que algo considerado lixo pode virar beleza, pode emocionar e ensinar. Minha missão agora é multiplicar essa linguagem por muitas cidades, semeando consciência por onde passo”, afirma a artista.
D’Ávila
Sua parceira na criação do mural, Waldirene D’Ávila, também compartilha da proposta de uma arte engajada e acessível. Juntas, elas já desenvolveram outros projetos que aliam estética, meio ambiente e formação social. O trabalho em Santa Teresa é mais um exemplo da capacidade que a arte tem de produzir sentido coletivo, gerar encontros e provocar transformações silenciosas, mas profundas.

Símbolo da cidade
O beija-flor, escolhido como ícone da obra, tem múltiplas camadas simbólicas: é símbolo de leveza, rapidez, energia e beleza. É também uma das espécies mais presentes nos jardins e matas da cidade, fazendo uma ponte direta entre o mural e o cotidiano da população. As flores que o cercam, construídas com tampinhas coloridas, remetem à exuberância da flora da região. Ao transformar resíduos descartados em representação da própria natureza local, a obra cria uma narrativa circular: o plástico que ameaça o meio ambiente é convertido em homenagem à biodiversidade que precisamos preservar.
Para além da instalação atual, Fernanda Vieira já tem confirmadas outras duas obras ecológicas em cidades capixabas, dando continuidade ao seu trabalho de educação ambiental por meio da arte. Cada mural é pensado de acordo com o território onde será inserido, dialogando com a identidade local e mobilizando moradores em processos formativos. É esse caráter de inserção comunitária que torna seu trabalho único: não se trata de decorar paredes, mas de criar vínculos e despertar consciências.
Com iniciativas como essa, Santa Teresa fortalece sua imagem de cidade culturalmente ativa e ambientalmente consciente. O Fecsta, ao incluir em sua programação uma ação artística com impacto social e ecológico, reforça o compromisso com a valorização da cultura em sua dimensão ampliada como prática transformadora.
O mural de tampinhas é um presente para a cidade, mas também um convite. Um convite a olhar com mais atenção para os espaços que habitamos, para o que consumimos, para o que descartamos e para as relações que podemos construir a partir do que parecia inútil. Uma lição de que arte, sustentabilidade e participação podem caminhar juntas, enchendo de cor, sentido e esperança os muros, os olhares e os futuros possíveis.


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