Lula encontra com Trump em Washington na quinta-feira
A equipe presidencial viaja nesta terça (5) para Washington. A agenda está sendo negociada desde janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para Washington nesta quarta-feira (6) para um encontro oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira (7).
O encontro é visto pela diplomacia brasileira como um passo crucial para normalizar as relações comerciais, após um período de incertezas e tarifas de importação.
Além da economia, temas como a situação na Venezuela e parcerias em minerais críticos e terras raras devem compor a mesa de discussões.
A confirmação da viagem vem depois de um momento negativo para o governo Lula. O Congresso impôs duas derrotas ao presidente na semana passada, rejeitando a indicação de Jorge Messias para o STF e derrubando o veto presidencial ao PL da Dosimetria.
O encontro acontece pouco tempo após o impasse diplomático entre os dois países, causado pela prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Negociação desde janeiro e pauta ‘olho no olho’
Inicialmente, o encontro estava previsto para março, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
De lá para cá, Lula fez críticas a Donald Trump por causa dos ataques dos Estados Unidos ao Irã, subindo um pouco o tom.
Mas, recentemente, Lula se solidarizou com Trump quando ele foi vítima de um atentado na semana passada durante jantar dos correspondentes em Washington.
A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de 50 minutos.
Naquela ocasião, os líderes manifestaram o desejo de realizar um encontro presencial para resolver divergências diretamente — o que o presidente brasileiro classificou como uma conversa “olho no olho”.
As negociações, no entanto, enfrentaram alguns obstáculos que adiaram a data original, inicialmente prevista para março.
Segurança Pública
Há um interesse mútuo em fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro, tema que avançou em reuniões técnicas em abril.
O governo também trabalha para impedir que os EUA incluam facções criminosas como o CV e o PCC na lista de organizações terroristas internacionais.
EUA mandam delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem deixar o país
Caso Ramagem
Recentemente, a prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem também gerou um impasse entre os governos brasileiro e norte-americano.
O ex-presidente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos, em 13 de abril, e solto dois dias depois.
Ramagem fugiu do país em setembro do ano passado, dias antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da trama golpista. Ele mora nos Estados Unidos desde então, onde fez um pedido de asilo. A solicitação ainda não foi concluída.
Dias depois, o governo de Donald Trump determinou que o delegado brasileiro que atuou junto às forças americanas pela prisão de Ramagem deixasse o país. Uma substituta para o cargo foi nomeada.
A Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores não foram informados da decisão de expulsar o delegado. Mas, em reunião, o ICE informou a PF que Ramagem terá o direito de aguardar o resultado sobre o pedido de asilo em liberdade.
Em resposta, o governo brasileiro retirou as credenciais de um colaborador norte-americano e determinou que ele retorne aos Estados Unidos. Um segundo policial, também dos Estados Unidos, teve as credenciais suspensas, mas dias depois elas foram retomadas.
