Seixas Baré – Fotos Divulgação
Em outubro acontece o júri popular de Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de envenenar um médico de 90 anos. A sessão foi designada pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória, para as 9 horas do dia 26 de outubro, no Fórum Criminal de Vitória.

O advogado Waldyr Loureiro, assistente de acusação, (representando o médico Victor Murad) diz que a expectativa é de que a justiça seja feita de forma plena.
Loureiro informa que está confiante no trabalho imparcial do Judiciário e na soberania dos jurados. “Estamos certos de que a resposta a este crime será proporcional à periculosidade demonstrada pela ré e necessária para a proteção dos direitos fundamentais das pessoas idosas. A família da vítima aguarda com firmeza a devida responsabilização penal”,
Bruna, que se encontra detida na Penitenciária Feminina de Tucum, em Cariacica, foi denunciada por tentativa de homicídio praticada contra Victor Murad, com as seguintes qualificações, segundo sentença que a encaminhou a julgamento:
Motivo torpe – “A conduta da denunciada teria sido impulsionada por sentimento vil e repugnante, decorrente de ganância e de autopreservação ilícita”
Emprego de veneno – “Por meio da utilização de substância tóxica (óxido de arsênio III)”
Sem defesa – “O crime teria sido praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que a denunciada, se valeu de relação de confiança que mantinha com o ofendido para ministrar o veneno de forma gradual, impedindo a percepção, reação ou defesa por parte da vítima”
Impunidade – “O crime foi praticado para assegurar a impunidade em crimes patrimoniais e a vantagem econômica deles decorrentes”
Idoso – “O crime teria sido praticado contra pessoa maior de 60 anos à época dos fatos”

Entenda o caso
De acordo com a colunista Vilmara Fernandes que têm noticiado o caso, o crime foi descoberto em março do ano passado, quando o médico e a esposa desconfiaram que uma funcionária estaria desviando recursos da clínica, onde Bruna trabalhou por cerca de 12 anos. Ela exercia função de confiança, controlando o setor financeiro. E seria a pessoa responsável pela rotina alimentar do médico.
De acordo com as investigações, o envenenamento teria sido feito para mascarar o desvio, estimado em R$ 600 mil a R$ 1 milhão, direcionados para a conta pessoal de Bruna.
Ela foi presa e denunciada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). No final do mês de outubro do ano passado o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou a denúncia contra a mulher, o que a tornou ré em uma ação penal.
No início das apurações, o marido dela, Alysson Oliveira Marinho, chegou a ser apontado como suspeito, mas o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou o pedido do MP de arquivamento do inquérito policial contra ele.
Representando o médico
O advogado Waldyr Loureiro, assistente de acusação no processo (representando o médico Victor Murad) destaca que as provas obtidas demonstram com clareza que Bruna foi a autora do crime. “O caso revela um plano criminoso que choca não apenas pela gravidade do meio empregado, mas pela perfídia da acusada: a ré, aproveitando-se da condição de idoso da vítima e da relação de confiança que detinha, não apenas desviou valores pecuniários de sua conta, mas, ao ver seu crime financeiro na iminência de ser descoberto, tentou ceifar a vida do médico mediante o uso de arsênio”. Explica..
Dr. Waldyr destaca ainda que a conduta da ré em tentar ocultar o desvio de patrimônio é ainda mais censurável por ter sido praticada contra alguém que, por sua faixa etária, merece proteção e cuidado. “A tentativa de homicídio qualificado pelo veneno e pelo motivo torpe, a ganância combinada com o desrespeito absoluto à vida e à dignidade do idoso, representa uma afronta gravíssima que não pode ser tolerada pelo sistema de justiça.” Vaticina.
Bruna nega acusações
O advogado de Bruna não foi localizado, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações. Em depoimento à Justiça, ela negou todas as acusações e apresentou uma versão diferente, assinalando que seria vítima de uma armação arquitetada pela esposa do médico.
Afirmou que a sua demissão foi voluntária e decorreu de um conflito ético. A esposa do médico teria exigido que ela assumisse o envio de emails ameaçadores sobre um suposto relacionamento extraconjugal.
Justificou o recebimento do dinheiro em suas contas como gratificações voluntárias do médico, que a teria beneficiado com empréstimos e doações para viagens em razão de sua dedicação integral. Negou qualquer desvio fraudulento, afirmando que o “Dr. Victor sabia de tudo o que eu fazia”.
A compra do arsênio teve o objetivo de matar ratos e que o fez a pedido da esposa do médico, a quem entregou o produto.