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“Isso não vai acontecer comigo”

Por Kleber Médici

No início de março, o amigo André Ângelo, preocupado como os efeitos danosos do novo coronavírusme enviou uma mensagem sugerindo uma pauta de esclarecimento sobre a doença e como estava ocorrendo o seu avanço na região da Lombardia, norte da Itália, uma vez que Santa Teresa recebia inúmeros visitantes daquela e de outras regiões afetadas pelo vírus.
Confesso que, a princípio, duvidei da gravidade exposta pelo amigo, mas não me contive e fui pesquisar nas redes sociais sobre aCovid-19, principalmente sobre o que estava acontecendo na Itália…Fiquei perplexo!
A breve apatia deu lugar à preocupação levando-me a sugerir à redação do STN online uma publicaçãosobre o tema. Com novas informações a matéria foi disponibilizada, replicando o título apresentado pelo G1: “Coronavírus deixa mais de 200 mortos e cerca de 6.000 contaminados na Itália”. Era 08 de março.


No corpo daquele texto, sem muita noção da gravidade da doença, destacamos uma ação preventiva: “Santa Teresa é uma cidade de colonização italiana…prudente que a equipe de Vigilância Sanitária, se ainda não o fez, passe a visitar pousadas, hotéis e outras formas de hospedagens para orientar como recepcionar pessoas que porventura cheguem da Itália…”


Oacesso do leitor foi inexpressivo, mas os dados revelados naquele dia, comparados aos atuais (29/03/20), vão além da perplexidade, ou seja, em 21 dias as mortes na Itália saltaram de 200 para mais de 10 mil.


Os poucos casos do novo coronavírus na província de Wuhan, na China, há exatos três meses, transformaram-se em uma pandemia mundial. Hoje, um terço da população mundial permanece em quarentena para conter o avanço da doença (fontes: G1 e El País).


Diante deste quadro alarmante, não basta, pois, a nossa indignação ou perplexidade, estes dados assustam ainda mais e nos levam a refletir sobre o que podemos fazer para reduzir os efeitos desta pandemia em nossa região.


Ainda que muitos relutem em acreditar, ainda que, até o momento, foram confirmados somente 72 casos em nosso Estado e apenas um em nosso município; precisamos reconhecer a gravidade desta doença.
Ultrapassado um mês do primeiro caso no Brasil,já contabilizamos mais de 100 mortos e aproximadamente 4.300 casos confirmados. A partir de agora entramos nos prazos para o pico da contaminação que, segundo especialistas, são de duas a quatrosemanas.
Diante das informações contraditórias, até mesmo pelos profissionais da saúde, prudente seguir as orientações doMinistério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia, que apontam como a principal medida preventiva o isolamento social.
E o que é este isolamento social? É, na medida do possível, ficar em casa!Acreditar na máxima “isso não vai acontecer comigo” só tem grande probabilidade de ocorrer se o “eu” contribuir para o êxito deste isolamento social.
Assim, utilizar-se presencialmente dos serviços de supermercado, farmácia epadaria, somente quando estritamente necessários. Igreja (enquantotemplo), academia, shopping, passeios, bares, restaurantes, cinema, festas e qualquer lugar que possa gerar aglomeração é preciso deixar para depois, conforme suplicam as autoridades competentes.
Os dados de outros países disponibilizados nas redes sociais nos alertam que, desde logo, teremos um aumento da doença mesmo com todas as precauções, mas o mais importante é que possamos com nossa atitude garantir o máximo de leitos hospitalares para aqueles que mais precisarão.

Precisamos agir com equilíbrio. O inimigo invisível vai chegar sorrateiro na escuridão de nossa consciência, se não quisermos ser luz.


É momento de sairmos da teoria, da “mera oração” e colocarmos em prática o amor que temos pela vida, nossa vida e dos demais. Deus nos abençoe!

Evandro Seixas Thome

Brasileiro, Tronco Aruake, Etnía Baré, nasceu em Manaus - AM em 1963, cursou filosofia no Colégio Salesiano Dom Bosco, foi legionário da Cruz Vermelha de 1987 a 2001, atualmente é técnico em gestão de resíduos sólidos, ambientalista pelo Observatório da Governança das Águas (OGA); Jornalista/editor do periódico mensal Santa Teresa Notícia (STN) em Santa Teresa-ES. Contatos pelo 27 99282-4408