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A Realidade da Segurança Pública no Espírito Santo e o Slogan Estado Presente

Santa Teresa não é mais a mesma, confira o brilhante artigo do especialista em segurança pública, advogado, escritor e professor…

Waldyr Loureiro

Você já precisou ligar para o 190, o número de emergência do CIODES? Se sim, provavelmente notou a demora da viatura policial. Essa lentidão não é um caso isolado e expõe um problema grave: a falta de efetivo. Além da demora no atendimento, a escassez de policiais gera outros gargalos, o estado do Espírito Santo adotou o flagrante virtual, modalidade em que não há delegado físico para atender as demandas que são levadas pela polícia militar ao plantão policial, sendo o atendimento realizado de forma virtual, obrigando por vezes os agentes a esperarem por horas para que a audiência comece, o que os afasta das ruas por tempo demais.

No interior do estado, a situação é ainda mais crítica. Em municípios como Santa Teresa, não há plantão noturno na delegacia. Isso significa que, quando ocorre um flagrante, os policiais precisam levar os suspeitos para a cidade de Aracruz, desguarnecendo a cidade e deixando a população vulnerável, pois geralmente só se conta com uma equipe de plantão noturno da Polícia Militar.

Essa situação não é culpa da polícia. Pelo contrário, vemos o empenho e a dedicação heroica de policiais militares e civis que se esforçam ao máximo para servir a população. O problema está na falta de prioridade do governo para aumentar o efetivo. Embora o estado invista em viaturas, armamentos e tecnologia, como câmeras de reconhecimento facial, o número de policiais está anos-luz aquém da necessidade real.

O déficit é alarmante:

– A Polícia Militar precisa de cerca de 3.102 policiais a mais para alcançar o efetivo ideal de 10.992 agentes.

– A Polícia Civil enfrenta um déficit de 1.196 policiais, com a necessidade de 3.063 agentes.

Essa carência de pessoal inviabiliza a abertura de novas delegacias e a criação de plantões noturnos, medidas que seriam essenciais para melhorar a segurança.

 Falsa  Segurança – Enquanto o governo se preocupa em criar uma falsa sensação de segurança, o crime não dá trégua. A falta de efetivo abre espaço para que as estruturas criminosas cresçam, se organizem e aliciem jovens. A legislação, por sua vez, não ajuda: a proteção excessiva de menores os torna alvos fáceis para essas organizações.

O resultado é a transformação de cidades antes tranquilas, como Santa Teresa, em cenários de tráfico de drogas, homicídios e furtos. A cidade de antes, onde se podia deixar a bicicleta na rua ou a janela do carro aberta, infelizmente não existe mais.

Policiais, promotores, juízes e a polícia estão exaustos de “enxugar gelo”. A falta de efetivo, a legislação falha e o cenário econômico transformam o combate ao crime em um esforço constante e muitas vezes infrutífero.

Aumentar o efetivo policial, criar um plantão noturno da Polícia Civil em Santa Teresa,  além da criação de delegacias nos municípios de Itarana e de São Roque do Canaã, seriam estratégicas medidas urgentes e eficazes que poderiam ser adotadas para o combate ao crime. Afinal, o estado só estará verdadeiramente presente quando o crime deixar de estar.

Se realmente o estado estivesse presente o crime não estaria tão presente!

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Waldyr Loureiro é advogado, pós graduado em direito político, escritor e professor de direito penal e história do direito na Faculdade Estácio de Sá.

Evandro Seixas Thome

Brasileiro, Tronco Aruake, Etnía Baré, nasceu em Manaus - AM em 1963, cursou filosofia no Colégio Salesiano Dom Bosco, foi legionário da Cruz Vermelha de 1987 a 2001, ocupando cargos de soldado, correspondente, terapeuta. Atualmente é técnico em gestão integrada de resíduos sólidos e Monitor ecologista pelo Observatório da Governança das Águas (OGA); Jornalista/editor do periódico mensal Santa Teresa Notícia (STN) em Santa Teresa-ES. Contatos pelo 27 99282-4408

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